Um saco de batatas

 

Deixando de ser um saco de batatas

A trama de linho se estende garbosa

sobre a mesa de jantar.

As batatas imperiosas, cheirando a ervas finas, exibem-se em baixelas de prata.

Mas logo se vão…

Percorrer um caminho, um tanto angustiante até deitar as sobras …

A toalha não!

Alvejada, bordada, rendada

Será posta novamente e acolherá novos sabores,

Novas mãos entrelaçadas

Tantos brindes tintos, brancos ou rosês

Sorrisos embriagados a escorregarem em cascata sobre o fino linho.

Deixando de ser um saco

Um farrapo

Um trapo, refeito, brilha no salão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Teu beijo

bjo

Teu beijo tem gosto de saudade
por isso vicia.
Apeteço saborear-te
a cada noite
quando a lua espia, sem cerimônia,

meu corpo pedindo o teu.

 

Aparecida Dias

O amor pulou o muro

“O amor pulou o muro” disse Drummond.

Sim. O amor pulou!

O amor pulou o muro, o portão, a janela.

Saltou o brejo, a ponte, a pinguela…

O amor atravessou a rua, pulou na cama e refastelou-se nela.

O amor despiu-se devagarinho…

E de corpo nu, entregou-se ao afeto

Cobriu-se de  ternura e carinho

Bebeu na fonte do beijo

O líquido prazer que vertia

O amor mergulhou, emergiu, sentiu.

O amor gemeu, gozou, se lambuzou de mel

O amor sorriu e sussurrou palavras  que escorregaram num fio de ilusão.

“Pronto. O amor se estrepou” confirma o poeta.

Ah! O amor se estrepou. Se feriu, machucou, sangrou.

O amor chorou.

E o fio de ilusão molhou a areia da estrada por onde o amor vagava.

O amor se encolheu com medo do sussurro do vento

E o vento cantava: for…ni…ca…ção…

E a serra ecoava: fornicação…ação…

Sedução

Traição

Perdição

Ção… ção… ção…ção… ção… ção… ção…

Consternado o amor fugiu, escondeu-se debaixo da cama

Não comeu, não bebeu, não dormiu

Não dormiu, não comeu

Não comeu nem gemeu

Exausto, caído, estrepado, o amor se apagou.

“Talvez essa ferida sare amanhã!”

Obrigada, poeta.

(Aparecida Dias)