Segredos escondidos

hotel-itabira

Dança  o vento em redemoinhos

No findar de um inverno

A cheirar mato seco.

Agostina o céu em suave sopro azul de pipa

Gingante no ar.

Na ponta do fio, miúdas mãos sorridentes,

Meninos ventantes

Encantam-se com os velozes peixes voadores

Que beijam as nuvens e voltam a mergulhar.

Brilham os pequenos olhos em papel de seda

E as estrelas no chão

Em grafites grãos de ferro em pó.

Pés de moleque levantam poeira

Na dança do vento e pipa de agosto

No riso disposto da infância dançante.

 

Os ventos nos montes sussurram as lendas,

Contam os segredos das gentes de cá:

A cobra gigante debaixo dos pés,

A procissão dos santos comprida de fé.

Abrem as janelas em prosa drummondiana

Espalham poesia pelas calçadas,

Levantam as saias das moças distraías

E rolam risonhos pelas descidas

Das ruas de ferro de Itabira.

 

Os olhos dos meninos espiam o futuro

Soprado no vento

No Vale dos sonhos,

Nas serras das Gerais.

 

E canta o vento…

Assobia uma canção de ninar.

Dorme, criança, no colo de mãe.

Filhos da luta

Cansados da labuta

E de estrelas no olhar.

Ita da rua

Brilho de lua

Barco de velas que navega sem mar.

Vento de agosto, moleque brincante

Repousa cansado, deitado ao lado

Do  sossego da noite.

 

(Aparecida Dias)

Poema premiado na Seleção Nacional de Poesias – Semana Drummondiana – 2016.

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