Amor além do adeus

Disseste-me adeus.

Abracei-te como nunca e beijei-te demoradamente.

Meus braços envolviam-te na esperança de não permitir-te  ir.

Friamente, disseste-me que foi o nosso último beijo.

Olhei-te a ver a sombra do teu rosto por trás da cortina  embaçada  dos olhos meus.

Simplesmente  disseste-me adeus!

Enquanto afastavas teu corpo do meu

Levava a força que mantinha-me de pé.

Meu corpo dobrou-se ao chão: caí.

Chorei.

Sofri.

Inundei de águas chorosas a terra que acolheu a abraçar-me.

Comer já não queria.

Andar não podia.

Meus olhos cerram-se,

O sol já não via.

Criei raízes no chão

Ramos no coração.

Vegetei.

Um corpo a decompor jazido no solo

Tornando-se húmus à terra

As aves visitavam-me , levaram-me os cabelos para seus ninhos

Deixei de existir por tempos incontáveis

Até não mais haver dor

Renasci em flores a colorir os campos

E, desde então, todas as primaveras tu vens me ver

Toca-me

Sente-me

Colhe os mais belos ramos

E ofereces à tua amante.

Tu estás tão feliz!

Choro de ciúme de ti.

Por não ter sabido  te amar assim

Que importa agora, que foste embora?

Floresço para atrair teu desejo

Eu sei que virás sempre a visitar meu jardim

E então, posso beijar-te em silêncio

Disseste-me adeus

Mas eu continuo em teus pensamentos.

Aparecida dias

 

 

 

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