Modorra

Nas horas longas e vagas do dia

Quando o sol fica a espreguiçar

E a janela manhosamente range

Empurrada pela rajada preguiçosa do vento

E abre-se, escancarada para a luz do sol entrar

Eu me deito na sombra a espreitar

Espreito as ideias, o coração

As palavras dançantes que saltam  da folha de papel

Manhosidade é o meu corpo

Mas as minhas mãos querem poetizar

E o desejo de escrever me abraça  demoradamente

Porque cá dentro, estás tu a dançar

Danças em leves passos  que é para não me assustar

Dança suave, ao som do  pensamento

Embala todos os meus movimentos

Para meus sonhos escrever

E então, danço eu entre palavras que escorregam

Uma a uma

Como gotas de suor

E enfileiram-se em linhas

Poetizando de cor

Quando os meus olhos, nem mesmo se abrem

Receosos de que tu fujas de inesperado

E então, assim…

Deixo-me em modorra

A poetizar o pensamento

Enquanto tu danças um tango sem fim.

Aparecida Dias

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