Entardecer

O entardecer de sombra escura

Empurra o sol  para o outro lado do horizonte

Mansamente cobre a colina e  se arrasta pelo quintal

Levando as aves em algazarra para o pouso de dormir

Sombra do entardecer invade casas a entrar pelas janelas

Penumbra…

Entre os últimos raios de sol e a manta escura da noite

Há uma tristeza embutida

Entre o coaxar dos sapos e o estrilar do grilo

Há uma dor mal sentida

Dessas dores que não se sabe aonde dói ou porque dói.

Que triste é ver  o entardecer

Esse fechar de olhos do dia

Entardece o  meu coração

A alma e o olhar

Que mágoa é essa que faz-me chorar?

O findar do dia leva meu riso e minha alegria.

É hora da Ave Maria!

Acendam as lamparinas!

Falem baixo : senão acordam as almas.

Rezem o ofício a Nossa Senhora!

Salve Rainha!

O cansaço do dia dobram-nos as pestanas

É hora de recolher

Recostada à fria sombra dos lençóis

Esqueço o entardecer

Vejo os raios reluzentes de outros sóis

Danço ao fogo de uma tribo desconhecida

Bebo da fonte dos sonhos proibidos

E de sono embriagada

Entrego-me ao regaço da noite calada.

 

Aparecida Dias

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