Amor sem medida

Amo-te

Amo-te tanto que não se  pode ter a exata  medida

É tão grande esse amor que não cabe em mim.

Está no tempo a ocupar todos os momentos

O antes

O durante

O depois

Está no que foi e no que virá.

Amo-te tanto e de tanto amar-te

Não sei precisar o quanto

Para medir tal sentimento

Não existe instrumento.

Mede-se a abraçar o ar

A mergulhar no mar

A voar no vento

E se perder em pensamento

Ainda sim, tudo é pequeno a comprar com o amor que por  ti tenho.

Amo-te tanto

E por assim te amar, desafio o tempo, a distância e o sofrimento.

Desafio a saudade

E a vontade  de perto estar

Amo-te

Por isso sonho-te

E por tanto te amar, sinto-me feliz.

Aparecida Dias

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Ciúme

Aquela carta dobrada  amarela e marcada pelo tempo

Ainda guarda o perfume de quem eu não conheci.

As marcas que o tempo deixou no papel, talvez estejam também ti.

Esta carta amarela traz tanta recordação…

Os beijos que  em palavras saltam das páginas tão antigas

Talvez os sintas tão doces como mel.

Recordas o passado a folhear o velho papel.

Tenho ciúme da carta escrita a tinta de caneta

Tenho ciúme da fragrância que invade no ar sempre que a desdobra devagar

Por isso peço-te que esqueças

Guarda os beijos que já não são teus

O perfume que não é meu

Olha nos meus olhos

Tenho ciúme de ti

Não traz o passado para perto de mim

Nem tão pouco o colocas feito muro entre nós.

Guarda esta carta em baú de lembranças passadas ou atira-a ao mar

Abraça-me.

Beija-me sem mais demora.

Antes que o tempo passe

E faça amarelar o sentimento que tenho por ti

Que exale o perfume

E cesse nossos beijos.

Vem. Junto a mim é o teu lugar.

Envolve-me nos teus braços

Acolhe os meus abraços

Ainda há tempo de amar.

Aparecida Dias

 

Leva-me contigo

Toma-me pela mão e leva-me contigo.

Vou aonde quiseres levar-me.

Sou tua, pertenço a ti.

Quero seguir-te.

Quero sorrir contigo as alegrias dos dias azuis ou dourados de sol.

Hei de chorar contigo a dor das tardes cinzentas e sem cor

e a embalar-te feito menino, acalmar-te -ei o coração

Poderemos brincar e correr na areia em dias de folga

Caminhar pela orla da praia bem junto ao mar,

Ou torcer pelo time de futebol a que pertences.

Vem. Dá-me a mão. Leva-me a passear.

Vamos juntos cantar.

Quero contigo dançar.

Quero beber um bom vinho e saborear a noite.

Leva-me. Quero te amar.

Meus desejos são teus.

Teus pensamentos são meus.

Conheces bem meu  coração. Não temo o desconhecido

Quero sentir a emoção de viver contigo

Toma-me pela mão.

Leva-me

Teu coração é meu abrigo.

Aparecida Dias

Amor ao vento

Gosto  de pensar em ti quando sopra o vento.

Sinto tuas carícias a emaranhar os meus cabelos,

A tocar o meu rosto e acariciar o meu corpo.

De um jeito bastante atrevido, levanta-me o vestido e deixa-me atrapalhada.

Fecho os olhos para sentir-te perto de mim.

Deito-me na grama verde e macia com cheiro  de sumo de capim fresco.

Aconchego-me

Tu estás no vento a tocar-me.

Tu estás em mim.

Abraço o vento e seguro-te  junto ao meu peito

Beijo-te a balbuciar teu nome.

Prendo-me à terra com unhas de pantera na intenção de prender-te a mim

Mas a terra esvai-se entre os meus dedos, a fugir devagarinho com se tivesse medo.

O vento envolve-me, abraça-me, prende-me ao chão.

E a cambalhotar, ergue-me  a dançar  e a sussurrar uma canção de amor

Já cansado de fazer estripulias, rodopia devagar

E devagar o vento despede  desse encontro  diferente

E  vai –se lentamente

Ficam as tuas marcas:

O cheiro de capim,

O suor do meu rosto,

O cabelo solto,

O vestido amarrotado,

Os olhos molhados…

Ah, vento que amo.

Vento: Puro sentimento.

Mal chegou e já se foi, tão depressa assim?

Abre caminhos  nos ares,  sobre as nuvens e mares…

Vai. Longe e ligeiro vai

Leva um pouco de mim.

Aparecida Dias

Jardim de fantasias

Sou borboleta miúda a viver nos campos floridos

Meu voo colorido, manso de asas a bailar

É desenho de sonhos

Que  devagarinho  põe-se a revelar

Encontro-te fugaz a revoar

E roubo-te para o meu jardim

Teus sonhos fundem-se aos meus

E no colorido vibrante

Das asas cintilantes

Voamos juntos na paz azul

Da manhã ao entardecer

A garimpar flor e mel.

De flor em flor

Em doces beijos

Foste aventureiro

Pousaste em meu jardim

Provaste do meu doce beijo

Sentiste meu suave cheiro

E eu miúda borboleta a debater as asas

Mergulhada em fantasias

Presa nos meus medos

Saltitei em piruetas

Voei no raio de sol

Subi às nuvens

A rodopiar nas luzes do quente verão

Borboletei de cores meu coração

E imersa em sonhos borboletantes

Destemida, decidida, borboleta amante

Abracei-te sem censura

Em volúpia, amei-te

E assim entregue; corpo e alma

No jardim da fantasia

Borboletas dançantes

De corações vibrantes

Corpos abraçados

Tornamo-nos namorados.

 

Versos esquecidos

Nas páginas perdidas, de sonhos esquecidos,

Os poemas que  eu te dei

Amarelaram com o tempo

Palavras e sentimentos condensados em signos  a traduzir o amor,

Ilusões perdidas,  alegrias sentidas,  desejo e dor.

Versos  traçados em papel marcado

São teu, são meus,

Tão reveladores de “Nós”

Pobres amantes, distantes,

Sobreviventes de um destino

Tecido a fio  de Moiras.

A chorar a sorte lançada sem piedade

Releio os poemas cansados

E contento-me com os versos amarelados.

Galope

Eu vou…

A  passos rápidos eu vou…

A caminhar pela vida

A vencer o tempo e a romper os dias

Galgando metas traçadas do caminhar galopante

Nas estradas sinuosas da história

Na tempestade de horas

A galopar, eu vou…

Aonde chegar?

Caminhos diversos percorridos,

O mesmo sonho perseguido:

Encontrar-te, meu amor!