GAIA

Todos os dias são frágeis

Começam com pequenos raios de sol

Com o canto dos pássaros  e dos galos no terreiro.

Lentamente o cheiro do café cobre as manhãs.

Lentamente se levanta a humanidade

Enquanto o sol se levanta,  o escultor da natureza  observa pacientemente

Pessoas que rompem o seio de Gaia

Sangram suas entranhas

Apossam-se de suas riquezas

E quebram a harmonia.

Pessoas que se quebram….

Transformam-se  a transformar o mundo

O céu se abre  para chorarem as nuvens

E molha  e aquece a terra e abraça a vida

Em tom de  condolências

Lentamente o dia fecha os olhos

E cobre o tempo com o manto da noite

Dá um tempo a todas as criaturas

Para parar, refletir e refazer.

Refazer-se!

E um novo dia se levanta

Frágil…

A escorrer pelas horas num fio de tempo

Nas mãos da humanidade.

Acordemos todos

Enquanto é tempo!

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Pedras

Pedras nas ruas

nas casas, nos adornos, nas praças

por todos os lados

Pedras nas paredes, pedras no chão.

Pessoas meio gente, meio pedras

Pedras e mais pedras…

Pedras no coração.

Na pequena Ouro Preto de pedras

Lembranças seguem-me no caminhar

por entre as frias pedras

ao subir as ladeiras

ao ouvir o sino da igreja.

Lembranças…

Afago-as para que adormeçam  e não acordem os fantasmas

Murmuro uma canção

que se apaga devagarinho como luz de lampião.

Quase a dormir

novamente , de assalto, as lembranças tomam meu pensamento

Tiram -me o sossego

Tornam-se um tormento

E confinada neste apartamento

Penso nas pedras

Arranco todas as pedras do chão

Lanço-as sobre este meu coração

Magoo, firo, enterro!

Sob pedras não mais há de vingar

Morre, sentimento mal quisto, para sempre esmagado pelas pedras

Só assim, o amor há de acabar.

E se não existe amor

Disseram-me que não posso amar

que o meu querer tem de acabar.

Espada afiada  decepou-me as palavras

Emudeci… Não teve jeito.

Quero gritar

quero chorar

quero rasgar o meu peito

e arrancar lá de dentro

o amor que não pode ter morada neste lugar.

Quero tirar quem não deseja lá estar.

Quero sangrar…

Talvez com tamanha dor eu possa renascer

Mas se mesmo assim eu continuar a sofrer

Quero morrer!

Pois não se vive sem esperança

Quero dormir o eterno sono

Onde terei apenas as boas lembranças.