Olhar fractal

O brilho vivo do teu olhar, ao encontrar os olhos meus,

deixaram se estar

refletidos na tela de um pintor, em geometria fractal

Enlaçados pelo brilho fascinante

presos pelo mesmo desejo de amar

Fez do reflexo azul, um mundo particular

e do desejo, um sonhar constante.

Basta-me pensar em ti que vejo teus olhos a me olhar

e dentro deles, os meus olhos também a te olhar

mergulhados no azul sem fim deste fractal

O teu olhar a refletir neste espelho de olhos

que devolve o mesmo brilho em geometria natural.

Subitamente pendo em partir,

fugir deste labirinto

esquivar-me desses olhos que prendem-me a sorrir

Mas a luz que vem do brilho de um par de gotas do oceano

Retém-me submersa

inundada de desejo

por esses olhos que me renderam

Tento rasgar a tela  emoldurada

ou quebrar o espelho dessa imagem refletida

Rasgo-me a face, corto-me o coração

Deito fora, em lágimas, o desejo da paixão.

Lanço-me sobre a poeira largada dos pés que se foram…

Abraço-me…

E rouba-me o sono com pena do meu penar

A dormir sonho com teus olhos a mirar-me

e dentro deles, os meus a te contemplar.

Poesia de corpo inteiro

Entre meus dedos escorregam papeis, canetas

palavras e sentimentos.

Um sorriso oculto perpassa junto do olhar

sobre os versos que desfilam devagar

pela página virgem do caderno.

Acaricio as palavras

como se a tua rubra face contivesse meus versos.

Beijo-te ao ler os poemas.

Leio e releio devagar

e a cada palavra volto a beijar-te

O Poema é tua boca

que desata em mel para que eu possa ler

A poesia é o teu corpo.

E  te sentir é meu prazer.

Meus versos, tua poesia, teu corpo em mim

E desfilam papéis e carícias sem fim…

Reino de Azeméis

Eu vejo pingos de luz a cair no mar

Não sei se as estrelas desprenderam do céu

Ou se são anjos a chorar.

Eu vejo as lágrimas em ondas

Arrebentarem-se na praia

Sob os meus pés cansados de caminhar.

Há bem pouco, chorei a falar com os anjos

Contei meus segredos, meus sonhos e medos.

Falei dos desejos de ir para além

Destas terras, deste mar

Para encontrar o cavalheiro  do Reino de Azeméis

Vou tecer coroas de cristais, colares de conchas

E me enfeitar

Com um vestido de algas, longo e bordado a estrelas do mar

Irei navegar para  as terras distantes, do reino perdido

Se o cavalheiro do sonho  for um rei destemido

E quiser me desposar

Será tudo natural

O amor que lhe tenho é tão grande, não pode esperar.

Na mesma praia, onde eu me aportar

Encontrá-lo-ei para nos casar

Os anjos tocarão a valsa nupcial.

A lua será a madrinha desse enlace matrimonial

E seremos rei e rainha em lua de mel.

Confessei meu segredo aos anjos do Céu

Agora, sentada na praia, de pés no chão, contemplo o mar

Vejo pingos de luzes,

Pingos de lágrimas dos anjos a chorar.

SUAVE SOFRER

(Deus trino)

Deus não permitais que eu perca a serenidade no olhar

Essa doçura que me habita o coração

E a capacidade de sonhar

Permitais-me  o saber ver

Outros olhos e outro sonhar

Sem me afligir

Sem me amargurar

Permitais-me Deus, ser paciente

Complacente

E menos exigente.

Não permitais-me oh, Deus,  que a dor me tome a alma

Que a ausência de um bem querer  faça –me sofrer

Permitais-me, Deus , que eu seja forte

Que não me derrube a tempestade

Mas que eu possa ver o sol para além das nuvens

E que mesmo em noites sem estrelas

Eu saiba ver o brilho da luz.

Oh, Deus não permitais que meu coração enrijeça

E cuspa impropérios e ofensas

Em difíceis circunstâncias

Hei de ser resiliente,

Doce, calma,  amável  e persistente

Mesmo de alma magoada, sofrida  e machucada.

Não deixeis que finde a minha história

Dai-me outras tantas páginas em branco no livro da minha vida

Para que eu possa continuar a tecer os meus dias

E se eu não tiver forças para tecê-los

Hei de rabiscar sons de todas as cores

Salpicados de ventos e chuva de flores

E essa trama costurada e remendada em versos e poesia

Revelar-se á a trama da minha vida.

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SUAVE SOFRER

2ª versão (Deus uno)

Deus não permita que eu perca a serenidade no olhar

Essa doçura que me habita o coração

E a capacidade de sonhar

Permita-me  o saber ver

Outros olhos e outro sonhar

Sem me afligir

Sem me amargurar

Permita-me Deus, ser paciente

Complacente

E menos exigente.

Não permita-me oh, Deus,  que a dor me tome a alma

Que a ausência de um bem querer  faça –me sofrer

Permita-me, Deus , que eu seja forte

Que não me derrube a tempestade

Mas que eu possa ver o sol para além das nuvens

E que mesmo em noites sem estrelas

Eu saiba ver o brilho da luz.

Oh, Deus não permita que meu coração enrijeça

E cuspa impropérios e ofensas

Em difíceis circunstâncias

Hei de ser resiliente,

Doce, calma,  amável  e persistente

Mesmo de alma magoada, sofrida  e machucada.

Não deixe que finde a minha história

Dê-me outras tantas páginas em branco no livro da minha vida

Para que eu possa continuar a tecer os meus dias

E se eu não tiver forças para tecê-los

Hei de rabiscar sons de todas as cores

Salpicados de ventos e chuva de flores

E essa trama costurada e remendada em versos e poesia

Revelar-se á a trama da minha vida.

Tempo de Natal

Acendem-se todas as luzes…

Tantas são elas!

Coloridas, alegres, vibrantes…

Parecem também cantar hinos de louvor no ritmo dos intervalos de luz e cor.

Aos pés da verde árvore enfeitada

Dispõem-se os presentes.

Em breve todos irão se abraçar

Receber, entregar mimos aos parentes

As crianças mal podem esperar para verem o que lhes trouxe o Papai Noel.

Se tiver sido bonzinho haverá uma prenda

Se não… só para o ano!

Ceia posta à mesa… vinho… champanha

E os risos todos.

Muitos risos a se misturarem aos sinos que tocam

Sinos que ecoam na voz dos anjos

Parecem-me  tão reais…

E dentro de mim, uma dor perpassa o coração

Uma saudade busca alguém distante para festejar onde o Natal tem verão.

Um par de lágrimas molham os olhos  que fingem sorrir

E enrubesce a face que abriga o sorriso fingidor

Entre lacunas de fazer e sentir

Tilintam copos em brindes intermináveis

Tua presença se faz no desejo de abraçar-te

Teus olhos brilham no brilho das taças.

Meu abraço agora é teu.

A estrela mais brilhante da noite corta o céu

Pra que eu possa fazer meu pedido

Em silêncio, a olhar longe… distante em pensamento

Em curto espaço de tempo

Um sorriso titubeia em palavras miúdas

Ditas escondidas, com receio de se expor:

Feliz Natal, meu AMOR!

DESTINO

Antes mesmo de te conhecer eu já era tua

Em outro tempo, noutro lugar

E ao recomeçar a vida

Histórias diferentes vividas

Caminhos distintos percorridos

Um viver de amor não vivido.

Todo esse tempo,  meu coração guardou-se para ti

Não foi amor a primeira vista

Foi amor de uma vida inteira

Reservado

Destinado

Teus olhos já sabiam como pousar nos meus

Tal como pássaro que reconhece o ninho

Após migrar no verão

Meu coração te reconheceu

E não fez cerimônia.

Quase  saltou do peito para bater juntinho do teu

No instante em que te sentiu

Não nos encontramos pela primeira vez

Reencontramo-nos mais uma vez

Amor destinado tu e eu.

Antes mesmo de te ver

Tu já eras meu

Pertencemo-nos um ao outro

O destino assim já marcou

Não é possível fugir nem fingir o que passou

Nossos pés agora pisam a mesma estrada

Vamos juntos caminhar de mãos dadas

Não faças cerimônia,

Eu já te conhecia.

ENVELHECER

Desejo serenidade para que eu possa envelhecer com paciência

Que me venham os cabelos brancos

E rugas em minha pele

Que o tempo possa somar muitos anos no fio da vida

E eu possa sorrir de felicidade

Desejo somar as experiências da lida

Das distâncias vencidas na longa caminhada

Troco a mocidade corrida

Pouco percebida

Pelo olhar cansado, brilhante e apaixonado pela vida

Nesta nova idade

Carrego um baú de histórias

Se quiserem ouvir,  basta sentar-se a meu lado

Acomoda-te no assento

Vou abrir meu coração

Não tenho medo de envelhecer

Quero todos os meus cabelos brancos

Pois  cada fio tem a sua história

E em cada história há uma poesia

É um milagre viver a vida

Que desfia dia a dia…